2017 fecha, no CIAJG, uma vez mais sob o signo do desenho, juntando um conjunto de artistas que se dedicam a uma prática intensiva e, na maior parte dos casos, extensiva do desenho. Enquanto primeira linguagem ou proto-linguagem, o desenho irrompe cedo na nossa existência transportando consigo a potência da origem. É uma prática animista que convoca para um mesmo plano todos os seres, todas as formas e todos os campos de energia. O desenhador, como as crianças, acredita que os traços que inscreve, os sons que emite, as palavras que profere têm uma alma, são animadas, portanto, prenunciam e provocam uma ação que terá um profundo impacto na sua vida e na dos outros.
27 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018 (...)
Mumtazz
Hilaritas | Ascensor D'Mente
27 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018
“Robert Anton Wilson conta que descobriu a palavra HILARITAS nos Cantos de Ezra Pound, que citava o filósofo bizantino Gemisto Pletão. Dizia este: “podemos reconhecer os deuses mesmo na sua forma humana pelas suas magníficas Hilaritas”. Robert observa que no tempo de Pletão hilaritas significava “alegria, bom humor, diríamos, mas não no sentido de estar sempre a brincar”.
Durante muitos anos, Robert Anton Wilson assinou as suas cartas “amor e hilaritas”.
Hilaritas, do latim, significa “alegria ou leveza”. É também o nome de um asteroide descoberto em 1923 e que foi assim baptizado devido ao espírito alegre do astrónomo austríaco Johann Palisa, que o descobriu.
Mumtazz, uma das mais singulares artistas do panorama nacional, tem vindo a construir um percurso radicalmente heteróclito, profusamente poético e misteriosamente xamânico que, apesar de relativa discrição de como se tem vindo a apresentar no panorama artístico português, exerce uma intensa e subterrânea influência sobre um considerável espectro de artistas. Nascida em Lisboa, em 1970, a artista fez o curso avançado de desenho no Ar.Co e o mestrado na School of the Art Institute of Chicago, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Estreitamente ligado à prática da contracultura, implicado política e ecologicamente, retomando estratégias e modos do psicodelismo, o trabalho artístico de Mumtazz articula influências e elementos de diferentes culturas, diferentes tempos históricos e as mais diversas linguagens – a poesia, o som, o bordado, a fotografia, a instalação, o efémero, o geométrico e o orgânico. A programação do Centro Internacional das Artes José de Guimarães tem vindo a revelar alguns percursos essenciais na cena artística nacional. A exposição antológica de Mumtazz faz-nos descobrir uma artista cujo trabalho, na sua luminosa expansão poética, não tem fronteiras, limites ou interditos e estabelece a liberdade e a alegria de criar como fundamentos da existência humana.
Curadoria Nuno Faria
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27 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018 (...)
Extática Esfinge
Desenho e Animismo Parte II
27 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018Depois de Oracular Spectacular, apresentamos o segundo e último tomo de uma indagação ao desenho enquanto prática visionária, oracular e animista. A exposição reúne um conjunto de universos autorais em torno de um entendimento expandido do desenho, por vezes nem sequer materialmente reconhecível enquanto tal. Aqui, o desenho surge num plano flutuante, para usar uma expressão do filósofo José Gil, dificilmente nomeável, como que investido de propriedades espirituais, animado, no sentido biológico do termo. Som, bordado, projeção, suspensão, impressão sobre tecido, palavra, luz, mas também intervenções sobre papel mais evidentemente classificáveis como desenho, definem um espaço de emergência de ideias, metamorfoses, fantasmas, aparições, visões. Em Extática Esfinge, podemos entender o desenho como aquilo que surge ainda sem objeto, sem finalidade — uma poderosa ferramenta fenomenológica de observação e de sincretismo, o espaço em que todas as coisas do mundo podem conviver antes de terem um nome e uma forma.
Animismo (do latim animus, alma, vida) é a visão do mundo em que as entidades não-humanas (animais, plantas, objetos inanimados ou fenómenos) possuem uma essência espiritual.
O animismo abrange a crença de que não há separação entre o mundo espiritual e físico (ou material) e de que existem almas ou espíritos, não só em seres humanos, mas também alguns outros animais, plantas, rochas, características geográficas (como montanhas ou rios) ou de outras entidades do meio ambiente natural, como o trovão, o vento e as sombras.
Extática, adj. caída em êxtase; causado por êxtase ou que envolve êxtase; encantada, enlevada, maravilhada.
Esfinge, s.f. na Grécia antiga, monstro fabuloso com corpo, garras e cauda de leão, cabeça de mulher, asas de águia e unhas de harpia, que propunha enigmas aos viandantes e devorava quem não conseguisse decifrá-los.
Curadoria Nuno Faria
Com Adriana Molder, Andrea Brandão, Carla Filipe, Catarina de Oliveira, Laetitia Morais, Sara Costa Carvalho, Marta Wengorovius, Dayana Lucas, Sara Bichão
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14 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018
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Cosmic, Sonic, Animistic
Coleção Permanente e Outras Obras
14 outubro 2017 a 04 fevereiro 2018
A coleção permanente, como convencionámos chamar ao conjunto de obras que colocamos em diálogo no piso superior do CIAJG, abre um espaço de pluralidade que nos convoca a todos, espetadores, a interrogar e a reinventar as noções que nos foram transmitidas pelos manuais de história da arte. A cada ano, renovamos o mote para esse diálogo e em cada nova montagem ensaiamos novas relações, trazemos novos artistas, repensamos os nexos, as atrações e as oposições entre objetos e imagens que aqui se encontram vindos de lugares e tempos díspares. Esse movimento, simultaneamente excêntrico e centrífugo, mimetiza o mecanismo da espiral e põe o acento, não tanto na proximidade formal que possa existir entre os objetos, mas sobretudo nas ressonâncias, na energia que a convivência entre esses objetos pode gerar. Estamos em pleno campo do visível, mas, neste lugar, falamos sobretudo das relações invisíveis entre as coisas materiais, a forma como os objetos atravessam o tempo e espaço, como guardam uma energia e uma memória próprias. Neste contexto, mostramos a Instalação do Museu de Luanda, importante exposição que José de Guimarães realiza em Angola em 1968 e que reúne um conjunto de obras seminais no percurso do artista, bem como um conjunto de objetos em madeira pintados e de pinturas que o artista realizou também durante o período em que viveu e trabalhou nesse país africano. Na sala 3, também chamada “As Magias”, fazemos conviver o impressivo conjunto de máscaras africanas com uma seleção de registos sonoros recolhidos na importante “Missão de Pesquisas Folclóricas” que, em 1938, com idealização do escritor brasileiro Mário de Andrade, uma equipa chefiada pelo engenheiro e arquiteto Luís Saia conduziu no Norte e Nordeste do Brasil, em torno de manifestações ritualísticas populares de dança e música. No Gabinete de Desenho, uma sala dedicada a diferentes declinações e morfologias do desenho, estará também patente uma extensão da primeira edição da BIG - Bienal de Ilustração de Guimarães, com a exposição dedicada ao Prémio Carreira, este ano atribuído ao conceituado ilustrador Luís Filipe de Abreu, com curadoria de Jorge Silva.
Obras de José de Guimarães, Vasco Araújo, f.marquespenteado, Ernesto de Sousa, Franklin Vilas Boas, Rosa Ramalho, Jaroslaw Fliciński, Rui Chafes, Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade
Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Antiga Chinesa da Coleção de José de Guimarães
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14 outubro a 31 dezembro
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Luís Filipe de Abreu, Ilustrador
14 outubro a 31 dezembro 2017
O desenho é senhor absoluto de toda a sua obra, dos cenários e figurinos para ópera, teatro e bailado à medalhística, da pintura mural, cerâmica, vitral e tapeçaria à ilustração editorial. Traçada sempre a guache, a sua obra gráfica mais abundante está compreendida entre as décadas de 60 a 90. Luís Filipe de Abreu, o ilustrador homenageado pela BIG - Bienal de Ilustração de Guimarães, interpretou as grandes sagas da literatura portuguesa e universal, revelando sempre um apurado entendimento da condição humana, quer na edição de livros ou em medalhas para as Coleções Philae. É na qualidade narrativa das suas composições, na virtuosa caligrafia a permitir todas as audácias na perspetiva, no traço nervoso e intermitente, de espessura palpável, e no ritmo musical dos seus jogos gráficos, que reside muito do valor singular de Luís Filipe de Abreu na história das artes visuais portuguesas.
Curadoria Jorge Silva
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Horário da Exposição
terça a domingo
10h00-13h00
14h00-19h00
Todas as idades
CICLO DE PALESTRAS "A TEIA DA ILUSTRAÇÃO"
Ciclo de palestras dedicadas à ilustração e destinadas ao público em geral, alunos do ensino secundário e universitário e artistas interessados. Com a curadoria de Pedro Moura, investigador e ensaísta.
Sábado 21 outubro | 15h00 Leonor Riscado
Sexta 24 novembro | 10h30 Mattia Denisse
Sábado 09 dezembro | 15h00 Paul Hardman
Local Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade
Participação gratuita, sujeita a inscrição prévia em http://big.guimaraes.pt
Disponibilidade condicionada à lotação máxima da sala
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