Christian Andersson | When Science Fiction Was Dead
Christian Andersson | When Science Fiction was dead
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Christian Andersson
When Science Fiction Was Dead
17 fevereiro a 10 junho 2018

Concebida em estreito diálogo com o programa museológico do Centro, a ampla intervenção de Christian Andersson (Estocolmo, 1973) reúne um conjunto de peças icónicas e incontornáveis da produção do artista — como são, por exemplo, Scanner e From Lucy with Love, instaladas em duas das salas mais simbólicas do percurso expositivo, as salas 2 e 3 do piso que alberga a coleção permanente — e de peças inéditas, especificamente produzidas para esta exposição.

A intervenção não é apenas ditada por conveniência de espaço mas por razões simbólicas — o artista pensou o espaço como um todo, estabelecendo um conjunto de relações, colocando uma série de problemas ou de hipóteses, problematizando a ideia de museu ou de exposição, de coleção como todo ou como representação fragmentária do mundo, da falibilidade de sistemas de pensamento e de sondagem documental ou material do passado de disciplinas como a História ou a Arqueologia.
O pensamento de Christian Andersson é rizomático, múltiplo e diverso, tanto do ponto de vista formal como nos modos narrativos que engendra para através de imagens ou de objetos contar as histórias que quer contar. Desafia o espetador, dá-lhe falsas pistas, apela à memória, biográfica e biológica. O seu trabalho, sempre muito diverso do ponto de vista formal (dificilmente se encontram duas peças semelhantes) procura desconstruir a história da arte como ideia de progresso e toma a linguagem, tal como os surrealistas fizeram antes, como cerne da criação artística.

Se as peças instaladas no piso superior, encontradas, como refere o artista, “nos intervalos da História”, funcionam como notas de rodapé, códigos ou sinais, coincidências ou acasos, dados objetivos ou subjetivos (vejamos a peça Scanner, instalada na sala das máscaras, que transforma manchas de Rorschach em formas instáveis e nebulosas, questionando a ideia de identidade de forma subtil mas radical), já as peças instaladas no espaço de exposições temporárias, em que nos encontramos, funciona como uma espécie de “espaço subconsciente do museu”.

Este piso é constituído por peças que colocam o espetador num limbo percetivo, fazem-no perder as referências de si próprio no espaço e do tempo. Aqui, Christian Andersson trabalha noções como abismo, eco, transmissão. Percebemos talvez, ao contemplar uma das peças novas que o artista apresenta — uma antena obsoleta que perpetua a sua função de comunicar através de ondas — que o que aqui está em causa é a morte de uma certa ideia de ficção científica como aspiração utópica a um futuro incerto e misterioso. A realidade tomou, para nossa incredulidade, as rédeas da ficção.
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Christian Andersson é representado pelas galerias Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa, von Bartha, Basileia e Galerie Nordenhake, Estocolmo e Berlim
Apoio de iaspis The Swedish Arts Grants Committee’s International Programme for Visual and Applied Artists