Clareira | Manuel Rosa
Clareira, Manuel Rosa
Clareira, Manuel Rosa
Clareira, Manuel Rosa
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Clareira
Manuel Rosa
23 fevereiro a 9 junho


Manuel Rosa (Beja, 1953) é um dos mais singulares e originais escultores surgidos na década de 1980 em Portugal, cujo percurso foi perdendo gradualmente intensidade em benefício do importante trabalho que há décadas desenvolve enquanto editor.
Depois de um longo interregno sem produzir novos trabalhos, apresentou um amplo panorama de obras antigas e novas na exposição antológica que, em 2018, esteve patente na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Agora, abre uma clareira no denso espaço da coleção permanente, com peças de grande e pequena escala, em gesso, bronze ou areia de fundição, várias delas produzidas para esta exposição.
O vocabulário de Manuel Rosa é amplo em termos formais, temáticos e materiais. É um trabalho que, entre referências à escultura primitiva e pré-clássica, à Arte Povera e à geração de escultores britânicos surgida nos anos 80 do século passado, se destacou pela forma como construiu um forte sentimento de intemporalidade, por um lado, e uma intensa ligação à terra e aos materiais do lugar, por outro.
Reiterando, por um lado, arquétipos poderosos – a casa, o barco, o corpo humano –, e, por outro, objetos sem aura, de uso corrente ou índole industrial – cabaças, bolas, baterias de automóvel –, o artista opera, com desconcertante liberdade processual, uma ininterrupta circulação entre energia e forma, figura e sombra, cheio e vazio, totalidade e fragmento, pequena e grande escala, o efémero e o perene.
A intervenção que concebeu para o espaço da coleção permanente do CIAJG dialoga com algumas das peças mais marcantes em exposição ou em depósito – sejam peças em terracota da coleção pré-colombiana, sejam os moldes de partes do corpo humano, para ex-votos em cera oriundos do património religioso e popular da cidade de Guimarães. Convoca a figura humana, que se declina em precário equilíbrio entre forma e informe, surgindo da matéria e confundindo-se com ela, num movimento genésico.
Mãos, bocas, concavidades, espaços crípticos que guardam os segredos da história oral, antes da escrita, aquela não tem forma e que não é fixada nos manuais oficiais.

Curadoria Nuno Faria