Constelação Cutileiro
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Constelação Cutileiro
20 outubro 2018 a 10 fevereiro 2019

João Cutileiro é, indiscutivelmente, um dos mais singulares artistas portugueses do século XX. Excessivo, jubiloso, generoso, o seu trabalho marcou decisivamente a paisagem artística e cultural em Portugal a partir do final dos anos 1950 e início dos anos 1960.
A presente exposição ensaia uma espécie de cartografia celeste da geometria das relações, afetos e interações de que Cutileiro, espécie de astro solar, foi o ponto referencial e o campo magnético dessa energia.
Constelação Cutileiro lança um olhar sobre a produção inicial do autor, entre Évora, Londres e Lagos, integrando escultura, desenho e fotografia. É, na sua maioria, composta por peças de João Cutileiro colocadas em diálogo com obras de outros autores, mais velhos, da mesma geração ou de gerações posteriores, que com ele conviveram e privaram, reunidas numa lógica conotativa de forças e não de formas.
Assim escolhemos obras de uma ampla constelação de artistas como Júlio Pomar, António Charrua, Lourdes Castro, José Escada, Manuel Rosa, José Pedro Croft e Rui Chafes – algumas da coleção do próprio Cutileiro – como os belíssimos retratos do artista por Lourdes Castro e Charrua; os desenhos de nu por Manuel Rosa ou José Pedro Croft, realizados em residência no atelier de Cutileiro em sessões de trabalho coletivas no final dos anos 1970, princípio de 1980; outras gravitando em diferentes órbitas – como as peças escultóricas de Manuel Rosa, José Pedro Croft e Rui Chafes, cujos ecos processuais apontam afinidades evidentes ou surpreendentes.
Trabalhando com materiais como o cimento fundido, o bronze, o ferro soldado, o gesso ou o mármore corroído com ácido, por exemplo, João Cutileiro abriu um modo novo de encarar a prática escultórica em Portugal, baseada numa abordagem performativa, iminentemente matérica, oscilando entre forma e informe, remetendo para motivos ou arquétipos da história ou da pré-história da escultura, num diálogo entre épocas e geografias diversas.
As vénus do Paleolítico, a arte egípcia ou etrusca, Giacometti, Pompeia, a tradição da arte funerária ou a influência do surrealismo, marcam na obra do jovem artista uma prática extraordinariamente heteróclita, em que a radicalidade no uso dos materiais convive com uma inusitada audácia formal e estilística.

Inauguração do 3º Ciclo Expositivo de 2018 do CIAJG
Sábado 20 outubro, 18h00

Curadoria Nuno Faria e Filipa Oliveira