Conversa com Ana Morim de Lima e Sérgio Ropoxêt Krahô
Ana Morim de Lima
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Conversa com Ana Morim de Lima e Sério Rapoxêt Krahô
"Pur pej: beleza e diversidade das roças krahô. Uma conversa com Sérgio Ropoxêt Krahô e Ana Morim de Lima"
Quinta 21 março, 18h00

Entre os Krahô, uma roça "impej", bela e boa, é uma roça diversa. Os agricultores krahô são verdadeiros “colecionadores de variedades”, possuem grande apreço pela diferença e estão sempre trocando e adquirindo novas sementes. Tal gosto pela diversidade inclui uma dimensão estética, envolve trajetórias de vida e a memória afetiva imbuídas nas coleções. As roças krahô são ambientes vivos, rodeados pela flora e fauna nativa, espaços dinâmicos e em constante transformação. As práticas de cultivo e manejo dos povos indígenas, como já mostraram muitos estudos, incrementam e conservam a diversidade agrícola e a biodiversidade de modo geral. O que contrasta radicalmente com o entorno da Terra Indígena Krahô, atualmente tomado pelos ambientes homogêneos das pastagens e das monocultura de soja e grãos, com suas sementes uniformes, estéreis, monopolizadas. Ao fim do ciclo do agronegócio, resta a imagem da ruína, com suas paisagens devastadas e abandonadas.
A importância das plantas cultivadas para os Krahô tampouco se restringe a esfera alimentar, utilitária: elas não são boas apenas para "comer", mas também para "pensar" e para "se relacionar com". As plantas cultivadas exigem cuidados especiais, que se expressam nas práticas de resguardo na ocasião do plantio. Elas apenas vão "dar" seus frutos para aqueles que cuidam bem delas; do contrário, elas abandonam seus donos humanos, em busca de novas roças. Cultivadas como parentes, as plantas pensam e sentem, vêem e cantam o mundo. Contam os mitos que as plantas ensinaram suas festas, cantos e danças aos antepassados. Ainda nos dia de hoje, os Krahô realizam esses rituais, ligados ao plantio e à colheita do milho e da batata-doce.
Nesta conversa sobre a beleza e a diversidade das roças krahô e a vida ritual das plantas cultivadas, buscamos uma interlocução entre os conhecimentos de um especialista indígena e aqueles produzidos pela Antropologia. Sérgio Ropoxêt contará um pouco sobre sua própria experiência de roça e a pesquisa que realiza com seus cultivos; e Ana Morim de Lima contará sobre seu trabalho de campo e sua experiência entre os Krahô, suas roças e plantas.


No âmbito do seminário conjunto CIAJG / Licenciatura em Artes Visuais da Escola de Arquitetura da Universidade do Minho