Conversa Guiada com Edgar Martins e o curador da exposição Nuno Faria
Destinerrânica - O lugar do morto é o lugar da fotografia
 Inicio | Anterior | Pag.35/73  | Próxima | Última
Conversa guiada com Edgar Martins e o curador da exposição Nuno faria
Destinerrância - O lugar do morto é o lugar da fotografia
Quarta 24 maio, 18h00

Poucos fotógrafos têm, como Edgar Martins, desenvolvido uma reflexão tão poderosa sobre os regimes de visualidade contemporâneos, o uso da fotografia em contexto institucional, a relação da fotografia com a nossa vida e a nossa morte. A exposição que apresenta no CIAJG resulta de um projeto que foi longamente preparado e que teve duas primeiras e consideravelmente mais pequenas apresentações em Lisboa, no MAAT e na Cristina Guerra Contemporary Art. Trata-se de uma investigação empreendida nos arquivos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, a instituição que tem jurisdição legal sobre o corpo depois da morte. A reflexão visual que levou a cabo resulta numa exposição poderosa e, por vezes, chocante, do poder da imagem fotográfica e gráfica para reter a memória de um corpo que transpôs ou está prestes a transpor a fronteira que separa a vida da morte, a respiração da petrificação. Nesse sentido, convocando imagens de arquivo – entre fotografias, desenhos e cartas, por exemplo, e imagens do autor – a exposição constitui-se como um momento privilegiado para pensarmos o papel da fotografia no mapeamento da morte.

Nasceu em Évora, cresceu em Macau e vive em Londres. Um caminho por diferentes mundos e culturas que moldou indelevelmente Edgar Martins, um artista plástico português que trabalha sobre fotografia, focando-se na imagem em pós-produção consoante as suas necessidades artísticas. Foi na capital britânica que o português se licenciou em Belas Artes e Fotografia, no London Institute e no Royal College of Art. Foi ainda bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, do Centro Português de Fotografia, da Fundação Ilídio Pinho, da Fundação Oriente, do Instituto de Estudos Europeus da China, da Fundação Macau e do Arts Council entre 2000 e 2007. O seu trabalho encontra-se em coleções como a do National Media Museum do Reino Unido, Museu de Arte de Dallas (EUA), entre outras. O seu trabalho tem incidido sobre ambientes de difícil acesso, uma vez que o fotógrafo está interessado no diálogo que estes ambientes provocam. De entre as colaborações artísticas que estabeleceu até à data destacam-se a ANA Aeroportos, a Metropolitan Police, a EDP, a Agência Espacial Europeia, a BMW e o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. A sua primeira monografia – “Buracos Negros e Outras Inconsistências” – foi distinguida com diversos prémios, entre os quais o prestigiado Thames&Hudson and RCA Society Book Art Prize. Em 2008 foi o recipiente do primeiro New York Photography Award, venceu o prémio BES Photo em 2009 e, em 2010, ganhou o primeiro prémio nos International Photography Awards. O ano passado, o Centre Culturel Calouste Gulbenkian (Paris) acolheu a sua primeira exposição retrospetiva.

Entrada livre
Todas as idades