Conversa em torno da exposição Stefano Serafin, A Arte em Estado de Guerra
Stefano Serafin, A Arte em Estado de Guerra
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Stefano Serafin, A Arte em Estado de Guerra
Conversa sobre o bombardeamento dos museus durante a Primeira Guerra Mundial e o papel da reprodução fotográfica na historiografia da Arte
Com Paula Pinto (Curadora da Exposição)
Quinta 30 março 2017, 18h00

O confronto com as chocantes fotografias privadas de Stefano Serafin, o conservador da Gipsoteca Canova, passados 100 anos da destruição dos gessos de Antonio Canova durante a Primeira Guerra Mundial, permite-nos abordar a história da reprodução fotográfica de obras de arte e simultaneamente a história dos objetos de arte. Se, em 1859, Charles Baudelaire reduzia o papel da fotografia à salvaguarda de objetos preciosos do esquecimento e, em 1896, Heinrich Wôlfflin ainda recusava aceitar a perceção subjetiva oferecida por um processo mecânico de produção de imagens, as fotografias de Stefano Serafin mostram, pelo contrário, que as obras de arte não são detentoras de um conceito original e inalterável (são antes objetos sujeitos a transformações) e que a fotografia, mesmo que reprodutiva, torna visíveis os processos da história que a obra de arte esconde.
As fotografias de Serafin não são autorais e seguramente não procuram esteticizar a brutalidade da guerra. Estas fotografias tornam visível a historiografia das obras de arte ocultada pelos museus, permitindo um distanciamento crítico e aberto sobre o seu estatuto. A reprodução fotográfica de obras de arte ao longo de mais de um século, contrariamente à ideia de preservação de um eterno conceito de obra de arte, evidencia a interferência dos museus na percepção e experiência de obras de arte ao longo do espaço e do tempo, impulsionando uma reflexão sobre as políticas culturais dos museus e a propriedade do património cultural.

Entrada livre, condicionada ao número de lugares disponíveis na sala