5ª Edição Encontros para Além da História
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Encontros para Além da História
Sexta, 13 janeiro e Sábado, 14 janeiro
15h00-19h00 (Sex.) e 16h00-16h45 (Sáb.)

AS MAGIAS, Uma curadoria-coreografia em torno da figura de Herberto Helder e da influência que a obra do poeta exerceu sobre o universo das artes contemporâneas

Com António Poppe e Joana Fervença, Eglantina Monteiro, Rosa Maria Martelo, Susana Chiocca, Pedro A. H. Paixão, Tomás Cunha Ferreira e Mike Cooter, Francisco Janes e Carlos Pereira, Rui Moreira e a participação especial do Teatro Oficina

A quinta edição dos “Encontros para Além da História” é dedicada ao universo poético de Herberto Helder e à profunda, extensa e singular influência que exerceu sobre tantos outros percursos autorais, modos de conceber, pensar e fazer arte, em diferentes campos da criação contemporânea.
A forma como soube articular e indistinguir várias dimensões temporais, como soube criar uma língua própria, sem tempo e sem lugar, a performatividade da sua escrita, veiculada a partir de uma identidade quase secreta e sem exposição mediática, mas de forte ressonância, fazem de Herberto Helder uma figura tutelar, irradiadora, poeticamente potente.
Procuramos ecoar essa potência geradora discursiva, reunimos autores de várias áreas do conhecimento - coreógrafos, performers, músicos, poetas, artistas, cineastas, antropólogos, atores - para, numa performance contínua, única e irrepetível, soprar no CIAJG o poderoso e misterioso vento primordial da criação que Herberto soube convocar e animar. Buscar, em suma, essa comunicação-comunidade silenciosa e noturna que se estabelece sem sabermos bem como - bobines de um filme guardadas num arquivo que secretamente comunicam entre elas.

O CIAJG reúne peças oriundas de diferentes épocas, lugares e contextos em articulação com obras de artistas contemporâneos, propondo uma re(montagem) da história da arte, enquanto sucessão de ecos, e um novo desígnio para o museu, enquanto lugar para o espanto e a reflexão.
É uma estrutura dedicada à arte contemporânea e às relações que esta tece com artes de outras épocas e diferentes culturas e disciplinas. Partindo de uma conceção da arte como espaço de experiência e de liberdade, não submissa à categorização da história, da forma ou do estilo, tem um particular interesse em questões que se tornaram importantes conceitos operativos na arte contemporânea e no mundo atual, tais como: nomadismo, migração – de formas, motivos, ideias, pessoas, bens –, memória individual e coletiva, hospitalidade, comunidade, troca, miscigenação, antropofagia cultural, utopia, entre outras. Em suma, o CIAJG funciona como um Atlas, aproximando e articulando objetos, imagens e ideias de culturas de lugares muito distantes entre si.

Os “Encontros para Além da História” tomam e prolongam o nome da exposição inaugural do CIAJG, que mais do que um título era o mote conceptual que deu origem ao Centro. São encontros de caráter anual, que se realizam em dezembro/janeiro, e são uma instância onde promovemos o debate crítico em torno de questões operantes do CIAJG. É decisivo inscrevermos na nossa programação um espaço de retorno crítico sobre a nossa própria atividade, sobretudo porque baseamos a nossa programação em áreas de fronteira e em temas sensíveis, potencialmente fraturantes. A partir do momento em que pomos em causa a integridade de territórios disciplinares, princípios históricos ou em que lidamos com objetos carregados de significados que vão bem para lá da dimensão estética, como é por exemplo o caso da coleção de arte tribal africana, que convoca obviamente a questão da memória do colonialismo e de tantas problemáticas a ela associadas, temos de inscrever na nossa atividade os mecanismos críticos e autocríticos que a possam balizar e sustentar.
Nuno Faria, curador

António Poppe e Joana Fervença

"Eu podia contar gemeamente duas histórias: uma afro-carnívora, [amazónica,] simbólica, a outra silenciosa, subtil, japonesa, [chinesa].” E no meio os búzios de uma tribo que sepultava os seus mortos no recôndito de grandes jarras. Na zona direita do espaço vamos encontrar uma transformação marcada pela jarra indígena, dando origem a outros objetos da mesma natureza mas ameríndia. O Búzio, que em Italiano quer dizer porcelana, foi aquilo que de mais próximo os ocidentais encontraram para denominar a superfície e aspeto desta nova matéria subtil que acabava de chegar do oriente. A ligar a Ásia e a América, estão (estarão) os búzios.

António Poppe nasceu em Lisboa, fez a sua formação no Ar.Co. (Centro de Arte & Comunicação Visual) realizando intercâmbios com o Royal College of Art em Londres e com a School of the Art Institute of Chicago, tendo obtido um Mestrado em Arte Performativa e Cinema, nesta última escola. A Assírio & Alvim publicou o seu livro de poema-desenho Torre de Juan Abad em 2000, acompanhado de uma exposição; em 2012 a Documenta publicou Livro da Luz, poema-meditação-desenho-canção; e em 2015 publica o poema medicin na Douda Correria. Presentemente participa em recitais de poesia, realiza exposições e ensina desenho e meditação.

Joana Fervença nasceu em Lisboa, concluiu o Mestrado em Arquitectura pelo Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa e frequentou desenho no Ar.Co. Trabalhou na composição de vários livros e publicações, partindo sempre do desenho como medida. Participou recentemente na exposição Os Índios da Meia-Praia na Galeria 111, em Lisboa.

Eglantina Monteiro

Um ideal ameríndio.
No princípio do Mundo todos os seres eram humanos. Os mitos contam o modo como uns perderam certas capacidades e ganharam outras qualidades e formas, enquanto os humanos permaneceram iguais. O ideal do conhecimento ameríndio é tocar a dimensão humana que subsiste em tudo o que existe, incluindo as plantas ou a terra. As portas da percepção ao mundo invisível/humano são os sonhos, a doença, o transe ou as experiências alucinogénias; e o modo como humanos e não humanos percebem o mundo é da mesma natureza subjetiva.

Eglantina Monteiro, antropóloga, curadora, ativista, vive e trabalha em Castro Marim onde dirige a Companhia das Culturas. Entre 1984 e 2000, foi professora de antropologia da arte na Faculdade de Belas-Artes do Porto. Tem atividade na área da antropologia da arte com trabalho de campo na Amazónia brasileira, Bijagós, Guiné Bissau e Serra do Caldeirão, Algarve.

Rosa Maria Martelo

Nome, estilo, idioma
Na poesia de Herberto Helder, nome, estilo, idioma são em grande medida sinónimos. O poeta que arduamente ambicionava a criação de uma língua pessoal e única, “uma língua dentro da própria língua”, cedo confiou que a experiência exclusiva do ritmo do verso livre lhe permitiria atingir a “língua plena”. A esse registo da tessitura de uma voz, idioma eminentemente físico, chamou o poeta estilo: matéria verbal organizada em forma, corpo à conquista do nome próprio.

Rosa Maria Martelo é professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em 1996 em Literatura Portuguesa, e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, Unidade I&D da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Como domínios de investigação tem privilegiado a Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, as Poéticas do Século XX e XXI e os Estudos Interartísticos. Tem colaboração em numerosas revistas e obras colectivas. Publicou diversos livros de ensaios, entre os quais A Forma Informe — Leituras de Poesia (2010), O Cinema da Poesia (2012) e Os Nomes da Obra — Herberto Helder ou o Poema Contínuo (2016).

Francisco Janes e Carlos Pereira


Havia um homem
Homenagem. Atuação entre a música visual e a imagem sonora.
Filme-som do tempo circular, da contemplação e do caminho terreno.

Francisco Janes divide o seu tempo entre Lisboa e Vilnius. O seu trabalho é dedicado a formas de conhecimento baseadas na experiência, explorando a cisão ente humanos e a natureza, com foco em questões como o isolamento, distância, afeto e utopia. Usa som, espaço e filme. Baseia o seu trabalho em material documental.

Carlos Pereira vive em Lisboa. Trabalha com guitarra elétrica, voz e processamento de som em laptop. As suas peças sonoras envolvem repetições, estruturas circulares, sobreposições e novelos harmónicos.

Susana Chiocca

BITCHO
de Susana Chiocca em colaboração com João Pais Filipe, Luca Argel e Maria João Silva
BITCHO é uma figura ambígua que se transmuta a cada apresentação. Mantendo uma relação orgânica com o que a rodeia, questiona-se sobre o mundo, o momento, a sexualidade...
É um projeto iniciado em 2012 desenvolvido a partir de uma estrutura sonora, visual e textual.

Susana Chiocca nasceu em Lisboa. Doutorada em Arte contemporânea pela Faculdade de Belas Artes de Cuenca em 2016. Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em 1999. Organizou algumas exposições e eventos performativos, destacando-se a programação do espaço a Sala entre 2006-2010 em parceria com António Lago. Tem participado em diversas exposições, eventos e workshops desde 1999. Enquanto artista, a sua pesquisa aproxima-se do outro, na vivência, no momento, no encontro, imprimindo-se em conceitos como de ponte, ligação, prótese, lugar, pertença, articulação, alteridade, inclusão, choque, perda, agora, presença. Desenvolve trabalho em vários media como o desenho, a instalação, o vídeo, o som, a fotografia e a performance. Desde 2005 que investiga em torno do texto e da palavra em projetos como Balla Prop, em coautoria com Ana Ulisses, ou na sua mais recente personagem BICTHO onde a performance, a música e o vídeo se conjugam.

Pedro A. H. Paixão

Das coisas negras
Diaporama de diapositivos com leitura de micro crónicas, na maioria retiradas, modificadas ou transpostas da secção "(o humor em quotidiano negro)", presente no volume Photomaton & Vox de Herberto Helder (Assírio & Alvim, Lisboa, 1987, 2ªed.).

Pedro A. H. Paixão é um artista, estudioso e editor português. Nascido em 1971 em Lobito, Angola, trabalha entre Lisboa e Milão. Estudou Pintura e Desenho na Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, e detém um M.F.A em Filme e Vídeo pela The School of The Art Institute of Chicago, e um Ph.D. em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O seu trabalho é representado pela Galeria 111, em Lisboa, e é membro do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Fundou e dirigiu o projeto editorial disciplina sem nome para a editora lisboeta Documenta.

Rui Moreira

"vou tentar.um relâmpago ilumina o deserto por um instante.um comboio apita na noite pelos montes, planícies.pai!pai!porque me abandonaste?o café dos poetas está vazio.eclipse total.uma bilha de gás.muito sangue,alguns desenhos,dia primeiro..."

Rui Moreira vive e trabalha em Lisboa. Os desenhos inspiram-se nas suas viagens e os destinos são escolhidos com grande cuidado. Em seu retorno, desenha sem interrupção, executa uma espécie de exercício mnemônico revivendo o ciclo natural de cada espaço. O trabalho resulta da repetição de uma simples ação: o artista pacientemente enche o espaço inteiro de seus desenhos até que seu corpo esteja exausto das condições excessivas de imobilidade e gravidade como uma intensa meditação memorial.

Tomás Cunha Ferreira e Mike Cooter

HH (quer dizer Herberto Helder)
Um chocalho de silêncio contorna cada som. Isto podia ser um começo. Por aí.
Vamos - será mais que isso, que um começo. Som, fremente. Palavra, agitação.
A partir de HH - não. Em direção a HH. Atravessando HH. Cada disparo inventa um alvo. A substância da música, não é a harmonia - é a vontade de soar. Virar do avesso, antes de virar talismã. Um chocalho de silêncio contorna.

Tomás Cunha Ferreira nasceu em Lisboa, em 1973. Trabalha com pintura, texto e som. Exposições individuais recentes: Partitura, n’O Armário, julho 2016, Lisboa / Ontemporâneo, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, fevereiro-junho 2016, Guimarães / Pintura, Museu Nogueira da Silva, julho-agosto 2015, Braga.


Inscrição gratuita, até ao limite da lotação da sala. A inscrição poderá ser efetuada no CIAJG - Centro Internacional das Artes José de Guimarães ou através do formulário online disponível AQUI, que deve ser submetido para o e-mail encontrosparaalemdahistoria@aoficina.pt

Para mais informações, contacte-nos através do telf. 253 424 715 ou do e-mail encontrosparaalemdahistoria@aoficina.pt

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