Escola do Porto: Lado B | Uma história oral
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Escola do Porto: Lado B | Uma história oral (1968 — 1978)
25 outubro 2014 a 11 janeiro 2015

Curadoria Pedro Bandeira

A “Escola do Porto” tem uma história oficial que começa em Carlos Ramos, é estruturada por Fernando Távora, e internacionalizada primeiro por Álvaro Siza e depois por Eduardo Souto de Moura. Diz-se que nasceu do encontro da arquitetura moderna com a arquitetura popular (e não o contrário). A escola do “Inquérito”, da “Reforma de 57”, a escola que parece redescobrir o desenho e o projeto na urgência do compromisso social do arquiteto espelhado no processo SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local). É a escola do “neorrealismo”, do “socialismo realista”, do “regionalismo crítico”; a escola que se afirma na aparente ausência de ruturas, numa história linear, simplificada, que recusa ser pós-moderna porque nunca chegou a ser moderna. Uma história contada e repetida vezes sem conta, em sincronia mitificadora. Esta é a escola dos vencedores ou pelo menos esta é a narrativa predominante. Na sombra desta “Escola do Porto” existe um “Lado B”, um lado outro, de estórias que escaparam às teses e aos livros. São estórias esquecidas, estórias secundárias, algumas inconsequentes outras rasuradas, estórias que tentámos pensar com um conjunto de entrevistas nem sempre concordantes entre si e que, no seu desacordo, evidenciam uma realidade mais complexa, com posições mais marginais. Desacordos que põem em causa a linearidade da história oficial e a imagem homogeneizadora da ideia de “Escola do Porto”. Estas estórias oscilam entre dois polos: entre a utopia social e política fortemente influenciada pelo Maio de 68; e a utopia formal e disciplinar que caraterizou o pensamento radical na década de 70. A narrativa proposta centra-se na geração que iniciou os estudos na ESBAP em 1970, e que opôs marxistas, leninistas, ou maoistas a trotskistas, situacionistas ou anarquistas. E se começamos com a assumida ambição de contribuir para uma visão mais complexa da “Escola do Porto”, poderemos desde já adiantar, que em paralelo temos a ambição dissimulada de questionar este conceito apaziguador, enfatizado na década de 80 e 90 à sombra da internacionalização de Álvaro Siza Vieira. Propomos dar atenção a outras narrativas, menores seguramente, mas representativas de uma contracultura, de uma pedagogia radical, ou de percursos autodidatas identificados com uma crítica do quotidiano e evidenciados em projetos, em ações interventivas, em gestos performativos, e na insurreição ou na ironia. Propomos neste “Lado B” o percurso que vai da “ilusão à desilusão” no antes e depois da Revolução de Abril e que teve como consequência, o afastamento voluntário e involuntário de alguns dos alunos e professores da ESBAP.
Esta estória começa com a saída de Carlos Ramos da direção do curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1967, com a demissão coletiva do corpo docente por questões de indefinição contratual, e com o aumento da contestação ao regime sob influência do Maio de 68 e da revolta estudantil de 69, que empurraram o curso de Arquitetura da ESBAP, sob a aparente abertura da “primavera marcelista”, para o chamado “regime experimental” – uma reforma que os jornais da época iriam apelidar de “inovadora” e “radical” pela gestão paritária entre alunos e professores, pela ausência de cadeiras no sentido convencional do termo, pela ausência de faltas, de horários, tudo isto em prol da integração de várias matérias estruturadas em tornos de um núcleo central: o projeto de arquitetura (tido num âmbito alargado). Este regime de ensino, estruturado em grupos e temáticas e não em anos letivos, defendia a avaliação contínua igualmente participada por docentes e discentes. Não durou muito tempo mas, voltar atrás, à “Reforma de 57”, era algo que apesar de desejado pela direção “reacionária” da ESBAP (imposta pelo ministério), seria rejeitado pela maioria dos estudantes e professores. O ambiente de permanente contestação política, com perseguições e processos a alunos e professores, paralisou a escola em vários momentos. Entre 1969 e 1974 o ano escolar iniciava-se em abril e prolongava-se até setembro. A grande maioria dos alunos frequentou apenas os escritórios dos professores fazendo desta prática a prática do seu ensino. A Revolução de 1974, e o consequente processo SAAL (1974-76), encontraram os arquitetos a rua: manifestações, ocupações e o “direito à cidade”. A escola continuou “vazia”.