Favela, 2010
Favela, 2010
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Favela, 2010
Caixa, madeira, pintura
186 x 110 x 45 cm

A caixa é um elemento central no trabalho de José de Guimarães, sendo-lhe consignado, simultaneamente, o estatuto ambíguo e instável de contentor ou de suporte - de objetos, de imagens, etc. - e de símbolo, que reenvia para a ideia de viagem, tema e dispositivo omnipresente na estratégia discursiva do artista. A viagem entendida num sentido lato - enquanto exercício físico mas também exercício espiritual - aparece aqui simbolizada pela caixa para transportar obras de arte, num processo metareflexivo e de auto-ironia. O nomadismo, a circulação de conceitos, a troca, a antropofagia cultural são temas que vêm sendo obsessivamente revisitados por José de Guimarães. De que forma se deslocam as ideias e as formas, as influências? Como se fixam e se transformam, ganhando novos usos ou configurações? Nesta caixa, que transportava já consigo as marcas de uma existência prévia, José de Guimarães sobrepõe o desenho duplamente em negativo de duas silhuetas recortadas (aparentemente africanas) que se revelam a partir do fundo pintado a negro, evocando, mais uma vez, processos de transferência próprios de práticas de estampagem ou gravura, modos de propagação ou de contaminação, definidores de um mundo multicultural em perpétua mestiçagem. Ou como a forma se torna num fantasma de si mesma.