João Botelho ∙ Só acredito num deus que saiba dançar
Só acredito num deus que saiba dançar
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João Botelho Só acredito num deus que saiba dançar

Curadoria: Nuno Faria

A frase que dá título à exposição de João Botelho (1949) é uma máxima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, inscrita num dos mais famosos e influentes livros do autor “Assim falou Zaratustra, um livro para todos e para ninguém”, escrito entre 1883 e 1885. A dança está frequentemente presente nos filmes e é omnipresente na vida de João Botelho, um dos mais singulares realizadores contemporâneos. É a prova material de um vínculo invisível que une os homens à energia cósmica do universo, um desafio à gravidade, uma afirmação de liberdade, de leveza e de graça. “Danço, pois, quando vejo dançar”, dizia Fernando Pessoa no Livro do Desassossego, evocando a viagem experimental e espiritual que é a vida. Pessoa, que tanto e tão surpreendentemente Botelho revisitou. A exposição que o CIAJG apresenta não é uma exposição clássica sobre a obra de um cineasta, mas antes a construção de um atlas de referências e de afinidades que procura dar a ver as múltiplas e profundas relações que com o imaginário da arte, desde a pré-história à contemporaneidade, detendo-se sobre a pintura, dos séculos XVI e XVII sobretudo, mas também mais recente, o cinema de Botelho ensaia. Aqui, o desafio é o da mudança de contexto, de escala e de suporte, mas, sobretudo, o de outra temporalidade e de uma experiência percetiva proposta ao espetador radicalmente distinta da do espaço abstrato da sala de cinema. Desta forma, demos carta branca a João Botelho para dialogar com a coleção permanente e apresentamos um conjunto de instalações inéditas especificamente concebidas para o espaço, em que o som, a imagem e a palavra se tornam elementos concretos para repropor e reconsiderar a experiência do mundo, do cinema e da arte. Por vezes, numa lógica de transposição de escala ou de suporte, outras de transfiguração ou ainda em forma de eco, João Botelho convoca lugares – de Trás-os-Montes, a sua terra de origem, até ao Algarve, passando pelo Douro, Guimarães, Lisboa, entre outros –, cenários, imagens de outras épocas, a terra e o céu, a visão de Deus e a dos homens, rostos, paisagens, textos. Qual dançarino, entre o voo e a queda, em deriva, o autor de “Conversa Acabada” revisita obras suas e convoca obras de outros artistas, do passado ou seus contemporâneos (como é o caso da singular abordagem ao trabalho de João Queiroz, Francisco Tropa, Jorge Queiroz e Pedro Tropa, que aborda no filme “4”, aqui mostrado em formato instalação e em diálogo com peças destes artistas), com um genuíno desejo das coisas, estabelecendo relações, mais ou menos evidentes, simultaneamente obscuras e luminosas.