Lições da Escuridão
Sala 1 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 2 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 3 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 4 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 5 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 6 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 7 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 8 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 9 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 12 Foto © Vasco Célio / Stills
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Sala 13 Foto © Vasco Célio / Stills
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Lições da Escuridão
06 julho a 31 dezembro

Obras de Vasco Barata, Daniel Barroca, Pedro Valdez Cardoso, Rui Chafes, Otelo Fabião, José de Guimarães, Diango Hernández, Manuel Viegas Guerreiro, Francisco Janes, Manuel Santos Maia, Rosalind Nashashibi e Lucy Skaer, Luís Nobre, Pedro A. H. Paixão, Teixeira de Pascoaes, f.marquespenteado, Benjamim Pereira, António Reis, Jean Rouch, Thierry Simões, Rui Toscano | Obras da coleção de Arte Tribal Africana, Arte Chinesa Antiga e Arte Pré-Colombiana de José de Guimarães | Obras das coleções do Museu de Alberto Sampaio, Irmandade de São Torcato, Sociedade Martins Sarmento
Curadoria Nuno Faria

Pensar a criação artística ou a história da arte em negativo, não a partir da luz mas a partir do escuro, não a partir do dia - da história - mas a partir da noite - aquilo que ficou fora da narrativa histórica ou que nela surge como exceção. Aqui, abordamos uma das linhas de investigação abertas pela exposição Para além da História, em maior profundidade e em modo de interrogação: o que significa trazer objetos da escuridão para a luz, da invisibilidade para a visibilidade, do plano da sombra para o plano do corpo?
A escuridão, a noite, a cegueira, o negro são temas sempre presentes na história da arte ou da literatura. Pensemos nas pinturas negras de Goya, no Quadrado Negro de Malevitch, no Verbo Escuro de Pascoaes, no Coração das Trevas de Joseph Conrad, entre muitos outros.
Com Lições da Escuridão exploramos sob vários matizes a metáfora da escuridão, tão fecunda para o exercício do fazer artístico, na reflexão que propõe sobre o mundo:
- do ponto de vista arqueológico (escavar, ir em profundidade, estrato por estrato, camada por camada, fazer emergir à superfície, dar à luz objetos, vestígios, coisas de outro tempo que desapareceram do campo físico da visão ou mesmo do arquivo da memória);
- do ponto de vista da religião ou da relação com o transcendente, com aquilo que está para lá dos limites materiais dos corpos (mostramos, relacionamos objetos de diferentes culturas e tempos históricos com uma forte carga simbólica cuja vocação é, de certa maneira, uma superação da forma em favor da energia que fazem transportar e transmitir, para lá do campo da estética propriamente dita);
- do ponto de vista do próprio espaço da arte, dos mecanismos de construção de uma visão do mundo a partir da abertura da perceção ou predisposição do espetador para aceder a esse espaço, a um tempo concreto e abstrato (materializar o vazio, dar forma àquilo que não é figurável, mostrar a própria escuridão, revelar a sombra, o avesso da visão, expandir os limites da nossa perceção das coisas visíveis e invisíveis naquilo que, finalmente, é específico ao exercício artístico que é colocar objetos num dado espaço para significar, investir, ativar esse espaço).
A história da arte é muito mais do que a história da visão, é também uma história de fantasmas, de esquecimento, a narrativa da noite dos tempos, de formas e corpos que surgem, desaparecem e ressurgem, sem data e sem tempo, reativados pelo poderoso canto das musas da memória, essa capacidade intemporal que une os homens aos deuses.