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Atividade de Enriquecimento Curricular - Artes Performativas (teatro e dança)

A AEC AP - Atividade de Enriquecimento Curricular na área das Artes Performativas (Teatro e Dança) enquanto oferta educativa com componente artística para as crianças do 1º Ciclo de Ensino Básico (1º e 2º ano) do concelho de Guimarães, existe desde o ano letivo 2014/2015, tendo como missão o desenvolvimento de competências para a aprendizagem de um modo geral, e para a literacia artística em particular. Ao gerar competências e aptidões transversais que contribuem para a autoestima, a educação artística fomenta a motivação e a participação ativa dos alunos que tende a melhorar a qualidade de aprendizagem e do ambiente escolar.

A coordenação desta AEC resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Guimarães (Vereação da Educação) e A Oficina (Serviço Educativo) e tem vindo a contribuir, num esforço de equidade em todo o Concelho, para o reconhecimento das artes performativas enquanto áreas de conhecimento, estruturantes para a formação do indivíduo e da relação com coletivo em que se insere.

A COORDENAÇÃO

A Oficina assume a coordenação dos professores contratados pela Autarquia e a implementação do Programa Mais Dois - programa de aprendizagem na área das artes performativas (Dança e Teatro) - que orienta esta AEC e que se propõe intervir ao nível da ampliação de competências pessoais que proporcionem aos indivíduos o seu desenvolvimento integral e uma cidadania plena, fazendo-o em duas dimensões:

Dimensão escola

- Qualificar a oferta no que diz respeito às atividades de enriquecimento curricular na área das artes performativas (nomeadamente teatro e dança);
- Valorizar as particularidades locais num contexto geral, inscrevendo a escola no circuito cultural;- Enriquecer o ambiente escolar a partir de atividades e princípios colaborativos.
Dimensão criança
- Desenvolver a sua literacia artística;
- Dotar de ferramentas que possibilitem um melhor desempenho nas diferentes solicitações colocadas nas suas rotinas de desenvolvimento;
- Estimular para o reconhecimento do património coletivo, nomeadamente nas suas manifestações no território local e relacionando-as com outros territórios;
- Incentivar a cidadania participativa.
Assim, a coordenação realiza-se junto dos agentes envolvidos neste projeto de forma a articular esforços para a implementação do plano anual atuando:
- Junto dos artistas e formadores a quem são expostos o contexto e os objetivos do Programa, o perfil dos seus intervenientes, sendo trabalhados o enquadramento, a linguagem e as possibilidades de desenvolvimento de cada atividade.
- Junto das Escolas, assumido o papel de articulação pedagógica e logística numa ação coordenada entre o Serviço Educativo e a Produção d’A Oficina, a Vereação da Educação/Divisão da Educação e Recursos Humanos da Câmara Municipal de Guimarães.
- Junto dos professores responsáveis pelas aulas semanais, através de um trabalho de orientação e capacitação (estratégias, materiais e ferramentas) para o desenvolvimento dos temas e conteúdos propostos no Programa com vista ao desenvolvimento das competências das crianças.
- O apoio à implementação do Programa Mais Dois junto dos professores da AEC contempla:
- Reuniões mensais (remuneradas/integradas no horário dos professores contratados) com vista ao apoio, coordenação e partilha de experiências;
- Formação (gratuitas para os professores AEC AP) relacionada com os conteúdos do Programa;
- Fornecimento de materiais adequados ao Programa (e a possibilidade de assistir gratuitamente aos espetáculos programados pela Oficina no CCVF e na PAC/CIAJG;
- Monitorização através da assistência de aulas ao longo do ano e observação/discussão de planos de aula com cada professor.
Do plano de trabalho dos docentes AEC AP fazem parte tarefas como: a análise e diagnóstico de cada turma, a respetiva planificação a avaliação periódica, a participação nas atividades do Programa destinadas às suas turmas, seja no acompanhamento e/ou mediação, seja na elaboração e realização de ações que as concretizem (nomeadamente as aulas abertas, a comemoração do Dia Mundial da Dança e do Dia Mundial do Teatro).

No plano de atividade do professor na Escola está contemplada, no horário a atribuir, 1h mensal de reunião de articulação com as Escolas/Agrupamento onde leciona. Acresce a participação em reuniões de avaliação de turma.

O PROGRAMA

Mais Dois modos de ver, dois saberes, e os DOIS, nunca estão sozinhos.

Considerando que através de métodos de aprendizagem participativos, baseados na experiência, na autonomia e na responsabilidade, se desenvolvem competências (práticas e intelectuais) e se potencia a criatividade numa perspetiva holística, este Programa contempla um trabalho em contexto de sala de aula articulado com a realização de oficinas com artistas que se deslocam à sala de aula, saídas para ver espetáculos, aulas abertas com a participação dos pais/encarregados de educação que se deslocam à Escola, entre outras atividades.

Tendo em conta o Currículo Nacional para o Ensino Básico procura-se sobretudo o enriquecimento das capacidades de aprendizagem (memória, escuta, cognição e expressão. O modelo de trabalho contempla, por isso, um conjunto de atividades e práticas que promovem a articulação do conhecimento e da experiência, a literacia artística e a criatividade, a relação entre o indivíduo e o coletivo, entre o dentro e o fora da escola.

VER, FAZER e PENSAR (plano genérico*)

O atual sistema de ensino prevê a componente de dança e de teatro no seu curriculum ; por outro lado, a consciência do corpo, o reconhecimento de si e do grupo familiar, a orientação espácio temporal, a memória, a observação e a construção narrativa são capacidades despertadas e testadas nestas idades. Sabendo do peso que o Ler, escrever e contar tem na sociedade atual e no espaço do ensino básico na Escola, propõe-se, na verdadeira condição de atividade de enriquecimento curricular, a aprendizagem para o Ver, fazer e pensar.

De acordo com Currículo Nacional de Ensino Artístico para o Ensino Básico:

A literacia em artes pressupõe a capacidade de comunicar e interpretar significados usando as linguagens das disciplinas artísticas. Implica a aquisição de competências e o uso de sinais e símbolos particulares, distintos em cada arte, para percecionar e converter mensagens e significados. (…)

A literacia em artes implica as competências consideradas comuns a todas as disciplinas artísticas, aqui sintetizadas em quatro eixos interdependentes:
- Apropriação das linguagens elementares das artes;
- Desenvolvimento da capacidade de expressão e comunicação;
- Desenvolvimento da criatividade;
- Compreensão das artes no contexto.
Considerando esta premissa e reconhecendo que através das artes performativas (teatro e dança) se podem tocar outras formas de arte (plásticas, visuais, literárias, musicais), diversas linguagens (populares, eruditas, científicas) e formas de expressão (oralidade, gestualidade, escrita), o plano consiste num conjunto de objetivos, conteúdos e atividades que desenvolvem linguagem/vocabulário e conceitos de corpo, espaço, movimento (qualidade, ritmo, direção) e expressão (imaginário, observação, opinião).
*O plano detalhado com conteúdos, atividades (e calendarização das mesmas) é elaborado anualmente pela coordenação, trabalhado com os Professores AEC AP e partilhado com Diretores e Coordenadores de 1º ciclo dos 14 Agrupamentos, Coordenadores das Escolas e Professores Titulares das turmas que aderirem à AEC de Artes Performativas.

ALGUMAS REFERÊNCIAS

Entre 6 e 9 de Março de 2006 foi realizada em Lisboa a Conferência Mundial de Educação Artística da UNESCO que «pretendeu afirmar convictamente a necessidade de desenvolver competências criativas nas jovens gerações do século XXI e demonstrar a importância da Educação Artística em todas as sociedades. A Conferência procurou igualmente estabelecer um enquadramento teórico e prático, ou “Roteiro”, para fundamentar e nortear o reforço da Educação Artística. Desejou-se também dar uma especial atenção à implementação de programas de Educação Artística para pessoas de meios sociais desfavorecidos.»

Analisando o Documento Final desta Conferência que, observando o que se passa na educação a nível mundial, sintetiza um conjunto de recomendações e boas práticas para a Educação Artística a ter em conta na concretização das políticas educativas; parece-nos importante destacar os motes lançados nas intervenções de abertura dos trabalhos:
«António Damásio abordou a questão da Educação Artística na perspectiva da ciência cognitiva. (…) realçou que não basta investir no ensino das ciências e da matemática. É também necessário facultar a educação em artes e humanidades. Sublinhou que estas disciplinas não são um luxo mas antes uma necessidade, pois além de contribuírem para formar cidadãos capazes de inovar constituem um elemento fundamental no desenvolvimento da capacidade emocional indispensável a um comportamento moral íntegro. Referiu que é necessário e urgente voltar a ligar os processos cognitivo e emocional, uma vez que opções morais íntegras exigem a participação simultânea da razão e da emoção.»
Na segunda intervenção de abertura, Ken Robinson sublinhou:
«Até agora, os sistemas educativos eram construídos sobre a seguinte hierarquia de matérias: no topo, as línguas e a matemática, a seguir as humanidades e por fim as artes, como última prioridade. Além disso, no campo das artes, as artes plásticas e a música são mais frequentemente leccionadas do que a dança e o teatro. Tais sistemas educativos já não têm razão de ser. Se queremos resolver as grandes questões do mundo de hoje devemos ter em mente três objectivos fundamentais para a educação: encontrar formas de viver em conjunto, cultivar a identidade individual e fomentar a compreensão mútua. Para alcançar estes três objectivos constituem factores chave as competências pessoais, a confiança e a criatividade.»

Para informações, contatar:
Vera Santos
Coordenadora do MAIS DOIS – Programa de aprendizagem na área das artes performativas
912 436 720 | maisdoisaecs@aoficina.pt