Oracular Spectacular | Desenho e Animismo
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Oracular Spectacular | Desenho e Animismo
24 janeiro a 12 abril

Obras de Daniel Barroca, Rui Chafes, Alexandre Conefrey, Mattia Denisse, Otelo Fabião, Jorge Feijão, Rui Moreira, Pedro A. H. Paixão, Gonçalo Pena, António Poppe, Paulo Serra, Thierry Simões
Curadoria Nuno Faria com João Maria Gusmão e Pedro Paiva

Dar a ver, revelar, prever, trazer para o campo do visível as forças do invisível, registar, qual sismógrafo, as variações energéticas e as ínfimas alterações ou intensidades das coisas e dos corpos, projetar aquilo que ainda não existe, parece ter sido desde tempos imemoriais o papel alargado do desenho. Desenhar é, com efeito, desde a origem da humanidade e na infância de cada indivíduo, uma poderosa ferramenta para nos constituirmos, interiormente, enquanto seres viventes, e para percebermos e integrarmos as dinâmicas do meio ambiente, daquilo que nos é exterior. Desenhar está, simultaneamente, em direta articulação com o corpo, sendo por vezes pulsional, extático e fusional, sem distância reflexiva ou estruturação intelectual, e em contacto com a mente, enquanto instrumento que ordena e classifica, descreve e prescreve, projeta e designa. É tão alargada quanto específica a prática do desenho que convocamos para esta exposição. Com efeito, reunimos um plural leque de artistas que definem, com os seus trabalhos - que em alguns casos transbordam a categoria estável de desenho, declinando-se em objeto ou filme, por exemplo - um diversificado e de certa forma inclassificável conjunto de propostas. Contudo, a evidente idiossincrasia de cada um destes universos autorais deixa perpassar um poderoso lastro visionário comum, uma capacidade inaudita de produzir visões. Ademais, há algumas caraterísticas comuns a estes universos autorais que devem ser relevadas: o processo é invariavelmente mais importante que o resultado; a linguagem, omnipresente, é permanentemente posta em crise, questionada, reconfigurada, fragmentada; a energia que transportam as figuras ou as figurações sobrepõe-se sempre à forma - é mais relevante o próprio ato de aparecer, de surgir, do que aquilo que é representado. Reenviando para o título da exposição, familiar a um alargado conjunto de pessoas por ser o título de um álbum de uma conhecida banda de música pop, mas de certa forma misterioso na formulação e na terminologia, procuramos relevar o cariz ou a natureza propiciatória, divinatória, do desenho, que é tributário, por um lado, da rapidez, leveza e intuição, capacidades aliadas ao inconsciente, e, por outro lado, da minúcia, qualidade de pormenorização e de ordenação que, indiscutivelmente, possibilita. Assim, o desafio foi de revelar o modo particular como, num conjunto amplo de universos artísticos, se processa, se formula o momento antes de mostrar, antes de fixar a forma ou a figura. No fundo, fazer aceder o espetador ao círculo que delimita o território interdito do ritual, o espaço do sagrado e do segredo do fazer artístico do qual o desenho participa. Oracular Spectacular convoca e faz conviver aparições, fantasmas, esconjurações, ocultações, camadas temporais e semânticas, corpos sem forma e formas sem corpo, cantos, orações e meditações, o ar e a terra, entidades humanas, vegetais e animais, num mesmo plano de significação.