José de Guimarães | Provas de Contacto
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José de Guimarães ∙ Provas de Contacto 
Do stencil ao digital: processos de transferência da imagem

21 janeiro a 13 abril

Curadoria Nuno Faria

Esta exposição revela um extenso segmento do trabalho de José de Guimarães (Guimarães, 1939) mal conhecido e de grande relevância para o entendimento da obra do artista, que cobre um arco temporal de cinquenta anos: um conjunto muito diversificado de obras que dão corpo a uma incessante produção de imagens realizadas por transferência. Seja em torno de métodos tradicionais da gravura, seja de práticas menos convencionais, como o stencil, José de Guimarães desenvolveu desde o princípio dos anos 60 até aos dias de hoje uma incansável pesquisa que concilia experimentação material, rigor formal e um vocabulário de formas que permanentemente convoca a mestiçagem como conceito central da sua obra. O título da exposição - Provas de Contacto - é programático e operativo. Aqui, prova(s) é uma palavra para ser lida em duplo sentido: de tiragem, de repetição mas também no sentido da prova jurídica, de evidência. Por seu turno, contacto, deve ser entendido também em duplo sentido: imagens que se formam por contacto físico, pelo toque; mas ao mesmo tempo, o contacto que significa a busca do outro. Trata-se, assim, de uma exposição que não só reúne um conjunto muito alargado de técnicas de produção de imagem por transferência, como coloca ênfase na dimensão iminentemente processual, em detrimento do lado formal, do trabalho do artista. Para José de Guimarães as formas não são jamais um fim em si mesmas, mas antes um conjunto de signos que o artista articula enquanto linguagem - repare-se nos diversos alfabetos que constituiu, desde o alfabeto africano, apresentado na sala 2, até ao extenso conjunto de figuras estampadas a negro sobre a folha branca, a que chamou negreiros. Abordando a prática da gravura e de processos derivados, a exposição, de cariz antológico, mostra que essa prática continuada em vários momentos do percurso do artista se revelou estruturante, quer enquanto processo de conhecimento, quer enquanto campo operativo de experimentação. Em Provas de Contacto destacam-se os anos de aprendizagem e intensa prática inicial na GRAVURA - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, entre 1958 e 1965, de que apresentamos dois singulares e importantes núcleos - o primeiro dedicado à representação do rosto de Cristo, a primeira imagem, obtida por contacto, o ícone verdadeiro, e o segundo, um conjunto de variações em forma de homenagem em torno da obra de Picasso; os anos em que se encontra em Luanda (1967 a 1973), marcados por uma intensa prática experimental ligada a um intenso processo de descoberta e assimilação da cultura dos povos de Angola; o período pré e pós revolucionário de 1973 a 1979, já após o regresso a Portugal, em que produz uma série de trabalhos de cariz mais político, para além de um conjunto de obras em que se evocam lugares ou universos autorais (Centro Pompidou, Rubens, etc.); e, finalmente, os anos mais recentes em que regressa à gravura com assinalável fulgor e contenção de meios e de formas, em torno do tema, recorrente no seu trabalho, dos Negreiros e Guaranis.