Teoria das Exceções | Ensaio para uma História Noturna
Teoria das Exceções
Teoria das Exceções
Teoria das Exceções
 Inicio | Anterior | Pag.10/64  | Próxima | Última
Teoria das Exceções
Ensaio para uma História Noturna
Coleção Permanente e Outras Obras
17 fevereiro a 10 outubro 2018


Lógica circular, eterno retorno, repetição e diferença: a nova montagem da coleção permanente, vigente durante o ano de 2018, regressa ao mapa delineado pela exposição inaugural do CIAJG, Para além da História. Trata-se de prosseguir um projeto sem tempo plenamente consciente do tempo em que é realizado, afirmativamente contemporâneo sem ser exclusivamente constituído por objetos de arte contemporânea. A sua natureza é ser transversal, poroso, impuro, aberto e circular, procurando nexos, relações, permanências; por outras palavras, sonda o impercetível que o tempo histórico, tão marcado por uma memória seletiva e fatalmente grosseira, acaba por expurgar.
É um projeto que recoloca o objeto – considerado como uma entidade que existe além da sua objetualidade – no centro da relação percetiva. Voltar a olhar para determinados objetos que nos são estranhos ou familiares, longínquos ou próximos, num contexto específico; considerar o poder mágico dos objetos, a energia que, para além da forma, corporizam e transportam no espaço e no tempo, é um dos reptos do projeto. Os objetos são convocados, reunidos e dispostos como constelações de energia, campos magnéticos, campos de tensão movidos por atração ou repulsa, que nos perturbam, emocionam ou interrogam com uma intensidade tanto mais forte quanto insondável.
Teoria das exceções é um livro do escritor e ensaísta francês Philippe Sollers. Como o título deixa adivinhar, trata-se de um mapeamento de alguns universos autorais, idiossincráticos e singulares, que se constituíram como momentos de rutura na história da literatura. Contudo, o título do livro tem um alcance mais longo, apontando e fazendo a teoria de uma espécie de paradoxo que é a possibilidade de sistematização daquilo que por natureza é excecional, descompassado ou afásico; daquilo que vem fora de um cânone. É nesta zona de sombra que se situam os chamados "autores malditos", mas também os autores anónimos, os loucos, os visionários, os excêntricos, aqueles que se deram aos insondáveis mistérios da escuridão – do significado, da forma, da palavra, etc. – e que se situam nas margens da grande narrativa da História.
Não quer isto dizer que a História não registe ou inscreva as obras desses autores. Acontece que nessa narrativa surgem como intervalos, momentos inscritos a negativo, a contra-pêlo de uma conceção teleológica do tempo. São exceções que, a pretexto de não desmancharem uma trama legível, confirmariam, segundo a versão oficial, a lógica da história. Se colocadas lado a lado, constituiriam aquilo que se chamaria com propriedade uma História Noturna.

Obras de José de Guimarães, Franklin Vilas Boas, Rosa Ramalho, Rui Moreira, Jaroslaw Fliciński
_
Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Chinesa Antiga da Coleção de José de Guimarães