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1º de Maio, 1976

Serigrafia

O acaso é, desde o surrealismo, uma das forças motrizes do exercício da arte, enquanto forma de perscrutar os insondáveis desígnios da vida. Nesse sentido, o experimentalismo constituiu-se, no exercício do fazer artístico, como uma ferramenta particularmente privilegiada de acesso às forças do inconsciente por forma a libertar o corpo do controlo do intelecto e as pulsões eróticas do comando do superego. O trabalho de José de Guimarães incorpora, desde o início, uma dimensão erótica evidente, que corre em paralelo com uma declarada abertura à eclosão do inesperado, do imponderável, daquilo que é incontrolável. Realizadas no eufórico período pós-revolução, as ditas serigrafias políticas, evocando o 1º de Maio ou a luta antifascista, constituem um ponto de chegada e de síntese no vocabulário de José de Guimarães. A serigrafia, enquanto processo de apropriação e de síntese, foi estruturante na formação artística do artista, particularmente porque se constituiu como um campo onde realidades distintas se podem encontrar e resolver, onde elementos encontrados podem ser reutilizados. Para além de conjugar, numa lógica tripartida, elementos do recém-criado Alfabeto Africano com imagens de partes erógenas ou de corpos femininos nus, as serigrafias integram um fragmento de cartaz rasgado, naturalmente evocativo do exaltado e exaltante período pós-revolucionário, remetendo igualmente para o movimento europeu "affichiste", cuja prática de rasgar cartazes urbanos e de os colocar noutro contexto apelava ao acaso como potência construtiva e subversiva da forma. Curioso e revelador é que a forma que surge deste gesto subversivo de arrancar o cartaz à parede se assemelhe a uma cabeça de mulher africana, com os lábios exageradamente proeminentes e a cabeça encimada de um turbante, que se tornaria muitos anos mais tarde uma imagem de marca do trabalho de José de Guimarães. Como diz o adágio, "o acaso faz bem as coisas".

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1º de Maio, 1976
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