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Arquitetura perturbadora!
Uma arquitetura para o séc XXI

Uma obra de arquitetura é uma deriva em torno do mundo e da causa urbana. Para além do conhecimento inteligente das funções é um eixo normativo de encruzilhadas mentais e físicas – espaço onde convive a humanidade. É repulsiva da desordem mental e simultaneamente uma iconografia do presente – é conceito e matéria, provocação, mutação e transformação urbanas. Ultrapassa conceitos e desmaterializa limites, rompe com a censura e a mesquinhez balizadoras.

É também um espaço de bem-estar.

Construir em relação ao presente, para uma futura realidade utópica inatingível.
Recordo-me que em 1968, publiquei, num momento difícil para a vida nacional, o manifesto “Arte Perturbadora”, em que se referia que a “a arte imortal será sempre perturbadora” – perturbadora sobretudo dos pequenos espíritos e de todas as disciplinas. A arquitetura no seu equilíbrio – eternidade, é desequilibradora, intensifica o real, perturba, integra desintegrando – interage é uma pertinência programática e profética, como um claro – escuro.
Estou a falar duma arquitetura perturbadora!
Tudo o que disse eu vejo e identifico nesta excelente obra de arquitetura que por acaso se chama “Centro Internacional das Artes José de Guimarães”, realizada pelo atelier de arquitetura “Pitágoras”.
Conheci o Arquiteto Raúl Roque, um dos colaboradores do “Pitágoras”, no momento em que a C. M. Guimarães, o incumbiu da realização do anteprojeto de arquitetura. Pede-me agora, depois de construído, umas palavras sobre o edifício, para o qual contribui apenas duma forma literária, metafórica e conceptual.
Mas vejamos.
Este edifício nasceu para abrigar um conjunto de obras de arte que abrangem um “leque-atlas” histórico que vai do neolítico até à contemporaneidade isto é cerca de 7000 anos. Desde a China à Meso América e à África.
Assim iniciámos uma série de encontros e conversas onde expliquei a minha ideia de tempo, de mundo e de arte, de conceito e de matéria. Expliquei que o meu projeto era espiritual imutável, mas não imobilista – adaptável a pensamentos evolutivos. Falámos de tudo o que parecia mais adequado para exibir a arte de todas as épocas em consonância e confronto – arte da história passada e arte que fará a história futura. Falamos da intimidade do objeto artístico – o seu conceito, a sua delicadeza, a sua veneração. A maneira de ver –– o olhar.
Falámos em objetos e artefactos utilizados em festividades e rituais – da sua sacralização que se mantém após o uso, e da sua visualização noutras latitudes e contextos.
Falámos do silêncio do mundo quotidiano, do não diálogo, da hipocrisia, da inveja, do mistério das magias e dos desencontros. Das guerras e dos ódios, das desigualdades.
Da necessidade duma arquitetura provocadora!
Falámos de vários museus que ambos conhecíamos, do Quai Branly e do seu conceito de Templo que Jean Nouvel defendia. Da Fundação Beyeler de Piano, extraordinário pela harmonia e escala, onde todas as artes se misturam, do novo Centro Pompidou de Metz ou do fabuloso Chichu Art Museum de Tadao Ando, em Naoshima, em cuja área tenho várias esculturas, ou da ampliação do Moma de NY de Taniguchi.
Enfim, falámos do museu mundo que Clézio ainda há pouco apresentou em exposição extravagante no Louvre, e das funções atuais dos novos centros e instituições culturais, não diferenciadas, espalhadas por toda a parte. Falámos do insucesso da maioria. Discutimos a necessidade dum projeto inédito e diferente quer no contexto quer nos seus conteúdos. E continuamos a falar de tudo – até de coisas à primeira vista insignificantes.
E, assim foram acontecendo as coisas e a obra foi nascendo, no projeto primeiro e na realidade depois.
Falámos do desafio da intervenção no espaço urbano e da democratização do espaço público e do acesso à obra de arte, integrada no espaço urbano. Falámos de urbanismo e da transformação das cidades. Falámos de antropologia, e da sua incapacidade para discernir entre o mundo objetivo e a “intersubjetividade” de que fala Husserl. Falámos das imagens de que fala Didier Huberman, da “imagem mentira” e da imagem que quer parecer sobrevivente.
Falámos do ruído das cidades e de como serão os nossos filhos, que pertencem ao mundo de amanhã, a fazer a história, e dos antepassados que pertencem ao mundo não mais visível, olhados como sombras, na perspetiva da história. Só os seus artefactos serão as ideias, testemunhos do seu passado.
Falámos da importância da arqueologia para compreender o presente à luz do passado e de como um atlas da cultura mostrado num espaço fechado, não é temporário nem permanente.
E falámos de museologia, e da luz e dos objetos planos e tridimensionais, em madeira e cerâmica e tecidos. E das pinturas sobre tela e sobre papel e na sua fragilidade e do cuidado no manuseio das peças, e do seu transporte, e da sua guarda nas “reservas” e da climatização, da temperatura e da humidade e dos filtros de luz. Da influência do fator humano na deterioração dos objetos.
Falámos de intervenções urbanas e nas estreitas colaborações entre os artistas e os projetistas arquitetos e urbanistas. Falei da minha intervenção urbana – a mais extensa - em Kushiro, no Japão, onde a minha colaboração com os projetistas urbanistas, se iniciou ainda em fase de anteprojeto e mesmo de conceito e, como haveria de vencer todas as dificuldades inerentes a um clima inóspito, onde predominava o nevoeiro “crónico”. Foi uma intervenção urbana inédita, onde mais de 80 obras de arte foram utilizadas para minorar uma inóspita zona portuária do Japão que afastou os jovens, diminuindo a população daquela cidade.
Pierre Restany, grande sabedor das coisas e do pensamento, coração imensamente grande, que inventou a "Nova Figuração", refere no livro que me dedicou (1): "pode-se interrogar até ao infinito sobre as razões que levam um artista contemporâneo a adotar o nome da sua cidade natal. A motivação mais evidente parece ser a vontade de afirmar a sua ligação a um território específico----mas para tal é preciso que a localidade geográfica lhe sirva. A sua recordação das muralhas medievais que cercavam a cidade, antes da expansão dos anos setenta e da criação da universidade. A sociedade arqueológica Martins Sarmento, que quasi o adota, curioso que era da história, as ruínas que abundavam e os rochedos, "penedos" graníticos do monte da Penha, o linho e a sua artesania, as cutelarias, os couros e o seu cheiro acre, os restos de cerâmicas romanas existentes nos castros da zona…"
Estes eram os fatores que subliminarmente, seriam o húmus criativo dum universo plural, que arquétipos antropológicos haveriam de unir e dar sentido. Assim insistentemente "Guimarães" e a sua "Civitas", seriam indiscutivelmente o "Território" escolhido. E, há vinte anos atrás surgiu a ideia da criação dum lugar antropológico ou campo multidisciplinar onde se pudesse reunir e estudar a "arte" procedente de fontes heterogéneas.
O CIAJG, não é mais do que o acumular dum conjunto de ideias atrás desenvolvidas, com o atelier de arquitetura Pitágoras.
Um templo foi o sentido que demos a este magnífico projeto de arquitetura especializada, que abrigasse objetos mágicos, amados e temidos. Objetos que na sua maioria estão ligados à vida quotidiana dos povos servindo-os nos seus rituais.
Haveria que construir um edifício marcado pela sua interioridade, isto é sem as distrações normais, como janelas ou perspetivas que lhe retiram o poder contemplativo, acumulando arquitetura dentro da arquitetura.
Haveria que acautelar como refere Ramon Sarró, a purificação artística do objeto, separando-o do seu contexto e uso originais.-----O conceito de converter este tipo de objetos em obras de arte é subverter o seu destino. Um edifício, ele próprio programador, numa articulação que permita uma leitura discursiva e simultaneamente salvaguardando a autonomia resultante da especificidade dos materiais e das técnicas, sujeitos a requisitos museológicos, no que se refere à sua diferenciada classificação: madeiras, têxteis, pinturas, papéis, bronzes, terracotas, jades, gouaches, aguarelas, obra gráfica, materiais orgânicos, etc, etc.
Haveria que salvaguardar o objeto em si dos artistas seus produtores. Cuja função compete aos antropólogos.
Por outro lado, haveria que no mesmo espaço de discussão o antropológico e o artístico convivessem sem se consumirem antropofagicamente. E, haveria também que criar os espaços em que as civilizações não ocidentais coabitassem com as civilizações ditas da "escrita".
Assim este edifício, tal como os objetos artísticos, é um recetáculo de metáforas, de harmonia sincrética e diálogo recíproco onde a história e a contemporaneidade se encontram ganhando assim a consciência histórica da arte
Paris--Tokyo, Julho 2012
Pierre Restany, "José de Guimarães--Le Nomadisme Transculturel", Ed. de La Difference, Paris 2006

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Prémios

- Detail Prize Award 2012


- Reddot Design Award “best of the best 2013”


- Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2013


- Nominated for the final list of 25 projects
European Union Prize for Contemporary Architecture Mies van der Rohe Award 2013


- Copper in Architecture Awards – European Copper Institute

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Créditos

Pitágoras Arquitetos
Fernando Seara de Sá, Arq. Raul Roque Figueiredo, Arq. Alexandre Coelho Lima, Arq.Manuel Luís Vilhena Roque
Colaboradores
João Couto, Arq. Marlene Sousa, Arq. Carla Guimarães, Arq. João Carvalho, Arq. Fernando Torres, Arq. Mariana Santos, Arq. André Malheiro, Arq. Francisco Oliveira, Des. Hélio Pinto,
Fundações e Estruturas
Projegui, Lda. António Monteiro Castro, Eng. Civil Marco Beleza Vieira, Eng. Civil, Carlos Dias, Eng.
Hidraúlicos
Projegui, Lda. António Monteiro Castro, Eng. Civil Marco Beleza Vieira, Eng. Civil, Vânia Machado, Eng. Ivone Carneiro, Eng Civil
Acústica e Higrotérmica
Prof. Eng. Vasco Peixoto de Freitas, Eng. Civil Diogo Mateus, Eng. Civil, Marília Angélico, Eng. Civil
A.V.A.C. e Estudo do Comportamento Térmico
G.E.T. Lda.Raul Bessa, Eng. Mecânico, Raul Almeida, Eng. Mecânico Ricardo Carreto, Eng. Mecânico
Eléctricos, Rede de Dados, Segurança Integrada e Gestão Técnica Centralizada
Feris, Lda. Cruz Fernandes, Eng. Electrotécnico
Arranjos Exteriores
Pitágoras Arquitetos, Jorge Maia, Arq. Paisagista
Modelação 3D e Sinalética
João Andias Carvalho, Arq.
Fiscalização
Câmara Municipal de Guimarães, Joaquim Carvalho, Eng. Civil, Gonçalo Fernandes, Eng. Civil, Tiago Costa, Eng. Civil
Construtor
Casais – Engenharia Construção, S.A.
Direção de Obra Rui Ribeiro, Eng. Civil, Victor Moço, Eng. Civil, Tiago Carvalho, Eng. Civil, João Ferreira, Eng. Civil

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